» Autoconhecimento » Dor emocional: quando evitar aumenta o sofrimento
Por Adriana Fernandes | Publicado: 06/02/2026 às: 11:09 |

Falar sobre dor emocional é, para muitas mulheres, tocar em algo íntimo, delicado e, ao mesmo tempo, muito presente. Desde cedo, aprendemos que sentir tristeza, medo, culpa ou frustração é sinal de fraqueza. Por isso, somos incentivadas a seguir em frente, ser fortes, dar conta de tudo. No entanto, esse movimento constante de evitar a dor cobra um preço alto.
O autocuidado emocional surge exatamente aqui: não como uma tentativa de eliminar o sofrimento emocional, mas como uma forma mais gentil e consciente de se relacionar com ela. Na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), entendemos que o sofrimento humano não nasce apenas da dor emocional em si, mas da luta incessante para não senti-la. E, paradoxalmente, quanto mais tentamos afastá-la, mais intensa ela se torna.
Neste artigo, vamos conversar sobre por que a tentativa de controlar a dor emocional costuma ampliá-la e qual é a proposta da ACT para lidar com isso de forma mais compassiva, prática e alinhada aos nossos valores.
Antes de tudo, é importante normalizar: dor emocional não é sinal de falha pessoal. Ela faz parte da experiência humana. Amar envolve dor. Criar vínculos envolve dor. Ter sonhos envolve dor. Ainda assim, muitas mulheres passam a vida tentando se proteger da dor emocional como se ela fosse um inimigo a ser derrotado.
A ACT parte de uma visão científica e humana: emoções difíceis existem porque nos importamos. Portanto, sofrimento emocional significa que algo é valioso para você. Quando tentamos eliminar essa dor, acabamos também nos afastando daquilo que dá sentido à vida.
Por isso, falar de autocuidado emocional não é falar de alívio rápido, mas de construção de uma relação mais flexível com a dor.
Um dos conceitos centrais da ACT é a evitação experiencial. Em termos simples, trata-se de tudo aquilo que fazemos para não sentir dor : evitar conversas, reprimir sentimentos, se distrair excessivamente, agradar demais, trabalhar sem parar ou até se culpar.
No curto prazo, essas estratégias até parecem funcionar. Afinal, naquele momento, o sofrimento emocional diminui. No entanto, a longo prazo, o efeito costuma ser o oposto. Alguns exemplos comuns de evitação da dor emocional são:
Evitar falar sobre o que machuca para não gerar conflitos
Silenciar necessidades pessoais para não incomodar
Se distrair o tempo todo para não entrar em contato com sentimentos difíceis
Tentar controlar pensamentos “negativos” a qualquer custo
Se cobrar força constante, mesmo quando está exausta.
Com o tempo, a dor retorna mais intensa, acompanhada de ansiedade, sensação de vazio e desconexão de si mesma. Assim, a tentativa de eliminar a dor acaba ampliando o sofrimento.
Há dores que chegam como visita, mas, com o tempo, permanecem tanto que passam a ocupar espaço fixo dentro de nós. No início, são intensas e quase insuportáveis. Contudo, aos poucos, deixam de gritar e se transformam em um ruído constante ao fundo da vida. Isso não acontece porque tenham sido resolvidas, mas porque, gradualmente, o sofrimento muda a nossa visão do mundo: passamos a enxergar tudo pela ótica da dor, e, consequentemente, isso altera a forma como lidamos com a vida, com os problemas e com nossas perspectivas.
Além disso, muitas vezes continuamos a conviver com essa dor porque ela se tornou uma forma de proteção. Permanecer nesse sofrimento conhecido nos dá uma sensação de segurança diante do desconhecido e do que poderia acontecer se tentássemos seguir em frente. Dessa maneira, aos poucos, a dor silenciosa se transforma em uma companhia familiar, difícil de abandonar, mesmo quando sabemos que não nos serve mais.
Portanto, não é a dor emocional que sustenta o sofrimento, mas a maneira como nos relacionamos com ela. Assim, a ACT nos convida a olhar para essa morada com mais consciência e gentileza, para que possamos escolher, com mais liberdade, como queremos viver.
A Terapia de Aceitação e Compromisso não promete eliminar a dor. E isso pode soar estranho em um primeiro momento. No entanto, a ciência mostra que aceitar a presença da dor emocional reduz o sofrimento associado a ela.
A ACT trabalha com seis processos centrais. Entre eles estão:
Aceitar não é gostar da dor emocional, nem se conformar. Aceitar é permitir que ela esteja presente, sem gastar energia lutando contra ela. Quando você para de brigar com a dor emocional, algo muda internamente: o sofrimento diminui.
Muitas mulheres acreditam cegamente nos pensamentos que surgem junto com a dor emocional, como:
“Eu sou fraca por sentir isso”
“Não deveria estar assim”
“Preciso dar conta sozinha”
A ACT ensina a observar esses pensamentos como eventos mentais, não como verdades absolutas. Essa mudança reduz o impacto da dor emocional no comportamento.
Estar presente ajuda a perceber a dor emocional como uma experiência que acontece agora, e não como algo que define toda a sua história. Isso aumenta a flexibilidade psicológica.
O autocuidado emocional, dentro da ACT, não é sobre eliminar o sofrimento, mas sobre cuidar de si enquanto ela existe. Isso envolve atitudes simples, porém consistentes. Algumas práticas de autocuidado emocional:
Nomear a dor emocional sem julgamento
Respirar e permitir sentir, em vez de fugir
Escolher uma ação alinhada aos seus valores, mesmo com desconforto
Pedir apoio quando necessário
Estabelecer limites saudáveis
Essas práticas não fazem a dor emocional desaparecer, mas evitam que ela se transforme em sofrimento crônico.
Na ACT, valores são direções de vida. Quando você se conecta com seus valores, percebe que é possível viver uma vida significativa mesmo na presença da dor. Perguntas que podem ajudar:
Que tipo de mulher eu quero ser diante dessa dor emocional?
O que realmente importa para mim, apesar do sofrimento?
Que pequeno passo posso dar hoje alinhado aos meus valores?
Essas perguntas deslocam o foco da eliminação da dor para a construção de uma vida com sentido.
Do ponto de vista científico, quanto mais tentamos controlar experiências internas, mais elas se intensificam. Esse efeito é conhecido como paradoxo do controle emocional.
A ACT se baseia em evidências robustas que mostram que aceitar a dor emocional, em vez de combatê-la, reduz ansiedade, depressão e sofrimento psicológico, especialmente em mulheres que carregam múltiplas demandas emocionais.
Portanto, autocuidado emocional não é fraqueza. É uma postura madura e eficaz diante da dor emocional.
A dor l não precisa ser o centro da sua vida, mas também não precisa ser expulsa dela. Quando você muda a forma de se relacionar com a dor emocional, algo se transforma profundamente.
A proposta da ACT é clara: abrir espaço para sentir, se afastar da luta interna e caminhar na direção de uma vida mais alinhada com seus valores. Isso é autocuidado emocional real, possível e sustentado pela ciência.
Se você percebe que a dor emocional tem ocupado um espaço grande demais na sua vida, talvez não seja algo para enfrentar sozinha. No meu trabalho clínico, utilizo a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), uma abordagem baseada em evidências que não busca eliminar sentimentos, mas ajudar você a se relacionar com eles de forma mais flexível, consciente e alinhada aos seus valores.
Na terapia comigo, você pode:
Compreender por que a luta contra a dor aumenta o sofrimento
Desenvolver autocuidado emocional de forma prática e possível
Aprender a lidar com pensamentos difíceis sem ser dominada por eles
Construir uma vida com mais sentido, mesmo na presença da dor emocional.
Se sentir que este é um bom momento para cuidar de você com mais profundidade, a terapia pode ser um espaço seguro para esse processo. Buscar ajuda também é uma forma de autocuidado emocional.

Sou psicóloga clínica, CRP: (04/39812.) Atendo mulheres, ajudando-as a recuperar sua autoconfiança, superar desafios emocionais e construir uma vida mais leve e significativa. Utilizo a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Uma abordagem que visa ajudar pessoas a lidar com pensamentos e sentimentos difíceis, esclarecer valores, orientar ações, além de ensinar técnicas práticas para ajudar a lidar com desafios emocionais. Se você busca apoio psicológico ou deseja conhecer melhor meu trabalho, este espaço oferece informações úteis. Caso precise de acompanhamento psicológico, entre em contato. Será um prazer acompanhar você em sua jornada de crescimento e autodescoberta. Obrigada por acompanhar este blog. Vamos juntas, em direção a uma vida mais rica e significativa.
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