» Autoconhecimento » Autoestima: o que quase ninguém te contou
Por Adriana Fernandes | Publicado: 03/08/2021 às: 21:00 | Atualizado: 02-04-26 às: 13:39

Autoestima costuma ser definida como a forma como avaliamos nosso próprio valor. Em outras palavras, ela está relacionada à maneira como pensamos e sentimos sobre quem somos.
Em muitos discursos sobre desenvolvimento pessoal, a autoestima aparece como um dos pilares para uma vida emocional saudável. Frequentemente ouvimos que, se uma pessoa fortalecer o seu senso de valor, ela se tornará mais confiante, mais segura e, consequentemente, mais feliz.
Por esse motivo, quando surgem inseguranças, dificuldades nos relacionamentos ou momentos de autocrítica, muitas pessoas chegam rapidamente a uma mesma conclusão: o problema deve ser a autoestima.
Mas será que é realmente assim?
Ao longo deste texto, vamos olhar com mais cuidado para essa ideia tão difundida. Também vamos refletir sobre como o autocuidado emocional pode oferecer um caminho mais sólido e compassivo para lidar com a nossa experiência interna, especialmente nos momentos em que a autoestima oscila ou simplesmente não aparece.
Em algum momento da vida, muitas mulheres passam a observar a própria experiência através de uma espécie de termômetro invisível. Quando algo dá certo, surge a sensação de confiança e satisfação consigo mesma. Porém, quando aparecem erros, críticas ou frustrações, a percepção sobre si mesma pode mudar rapidamente.
Assim, a autoestima deixa de ser apenas uma experiência emocional passageira e passa a funcionar como uma espécie de régua para medir quem somos. Pequenos acontecimentos do cotidiano começam a influenciar diretamente essa avaliação.
Por exemplo, uma comparação nas redes sociais, uma falha no trabalho ou uma dificuldade em um relacionamento podem despertar rapidamente pensamentos duros sobre si mesma. Consequentemente, o bom conceito de si mesma passa a oscilar de acordo com cada acontecimento do dia.
Além disso, quanto mais a autoestima se torna esse termômetro interno, mais a vida emocional parece depender dessa avaliação constante.
Em muitas situações, a primeira explicação que surge para momentos difíceis é simples: “acho que estou com baixa autoestima No entanto, essa interpretação nem sempre corresponde à realidade. Frequentemente, ela aparece porque aprendemos a olhar para nossas experiências através do filtro da autoestima. Assim, quando nos sentimos inseguras, imediatamente pensamos em autoestima. Da mesma forma, se cometemos um erro, voltamos a analisar a situação em termos de autoestima. Além disso, ao nos compararmos com alguém, surge mais uma vez a ideia de autoestima baixa.
Consequentemente, sentimentos humanos naturais e comuns passam a ser interpretados como sinais de um problema interno que precisa ser corrigido. Como resultado, cresce a sensação de que há algo errado dentro de nós e que precisamos melhorar urgentemente nosso senso de valor.
Entretanto, quando observamos a experiência humana com mais cuidado, percebemos que inseguranças, dúvidas e frustrações fazem parte da vida de qualquer pessoa. Portanto, sentir-se vulnerável ou insegura em determinados momentos não significa necessariamente ter autoestima baixa. Em vez disso, muitas vezes, significa simplesmente estar vivendo experiências humanas difíceis. Além disso, é nesse espaço de vulnerabilidade que o autocuidado emocional se torna essencial, permitindo acolher sentimentos e pensamentos sem depender de se sentir sempre suficiente.
A mente humana tem uma tendência natural a se avaliar constantemente. Para compreender isso melhor, precisamos lembrar que ela está sempre comparando, classificando e interpretando nossas experiências. Além disso, produz pensamentos sobre sucesso ou fracasso, sobre ser suficiente ou insuficiente, certo ou errado.
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Assim, quando a autoestima se torna o principal critério para definir quem somos, cada erro ou dificuldade passa a parecer uma ameaça ao nosso valor pessoal. E ainda, quanto mais tentamos controlar ou aumentar a nossa estima, mais a mente cria novas avaliações.
Consequentemente, a pessoa pode se ver presa em um ciclo constante de autoanálise, tentando proteger ou restaurar sua autoestima. Portanto, aquilo que começou como uma tentativa de se sentir melhor pode se transformar em uma preocupação permanente com o próprio valor, tornando o autocuidado emocional mais difícil de praticar.
Muitas vezes, autoestima e autocuidado emocional aparecem como se fossem exatamente a mesma coisa. No entanto, cada um tem uma função diferente. A autoestima envolve avaliar a si mesma de forma positiva ou negativa, enquanto o autocuidado emocional diz respeito à maneira como lidamos com nossos sentimentos, pensamentos e experiências internas.
Além disso, eles se manifestam de formas distintas na prática. A autoestima foca em sentir-se suficiente, boa ou valorizada, enquanto o autocuidado emocional permite perceber, aceitar e lidar com emoções difíceis, mesmo quando a autoestima não está elevada. Dessa forma, é possível reconhecer sentimentos como tristeza, medo ou raiva sem depender de uma sensação constante de “suficiência”.
Quando confundimos senso de valor e autocuidado emocional, podemos acreditar que é necessário se sentir bem o tempo todo para cuidar de nós mesmas. Na realidade, o autocuidado emocional acontece mesmo quando a autoestima oscila ou está baixa, ajudando-nos a enfrentar desafios, agir segundo nossos valores e manter equilíbrio emocional.
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Por outro lado, ter autoestima elevada não garante automaticamente que cuidamos bem de nossas emoções. É possível sentir-se confiante e, ainda assim, negligenciar o autocuidado emocional, evitando lidar com experiências internas desconfortáveis. Da mesma forma, quem pratica autocuidado emocional profundo consegue observar pensamentos e sentimentos com atenção, acolher-se com compaixão e agir de acordo com seus valores, mesmo sem se sentir totalmente “boa o suficiente”.
Enquanto a autoestima depende de julgamentos, comparações e avaliações internas, o autocuidado emocional promove atenção consciente, aceitação e compaixão. Em outras palavras, a autoestima mede o quanto nos sentimos suficientes, enquanto o autocuidado emocional nos permite lidar bem com a própria experiência, independentemente desse sentimento.
Assim, compreender a diferença entre autoestima e autocuidado emocional é essencial. A autoestima pode oscilar conforme experiências externas, mas o autocuidado emocional nos permite responder a essas mudanças com flexibilidade, presença e gentileza consigo mesma. Ao fortalecê-lo, criamos uma base sólida para viver bem, independentemente de como nos sentimos em determinado momento.
Quando a autoestima se torna o principal alicerce da vida emocional, qualquer dificuldade pode rapidamente parecer uma ameaça à própria identidade. Além disso, sempre que algo não sai como esperado, surgem sensações de fracasso e a mente cria dúvidas sobre o próprio valor. Da mesma forma, comparações com outras pessoas podem gerar imediatamente a sensação de insuficiência, tornando a autoestima vulnerável a qualquer evento externo.
A vida passa a girar em torno da tentativa constante de manter uma sensação positiva sobre si mesma, transformando a autoestima em um objetivo instável e exigente. No entanto, sentimentos são naturalmente instáveis. Assim como a alegria, a confiança ou a motivação mudam ao longo do tempo, a autoestima também sofre oscilações naturais.
Esperar que a autoestima permaneça sempre elevada pode gerar uma luta constante contra a própria experiência humana. Além disso, quando colocamos a autoestima como base da vida, o autocuidado emocional tende a ficar em segundo plano, pois passamos a focar mais em nos sentir bem do que em acolher e agir de acordo com nossas emoções e valores.
Assim, compreender que a autoestima é instável e que o autocuidado emocional pode existir independentemente dela é essencial para construir uma vida emocional mais flexível, saudável e alinhada com o que realmente importa. Em outras palavras, enquanto a autoestima mede o quanto nos sentimos suficientes, o autocuidado emocional nos permite lidar de forma compassiva e consciente com toda a nossa experiência, mesmo nos momentos de vulnerabilidade
Talvez o ponto mais importante seja perceber que a autoestima não precisa funcionar como o alicerce da vida emocional.
A mesma pode existir, variar e até oscilar, como qualquer outro sentimento humano. Entretanto, isso não precisa determinar o rumo da sua vida.
Quando a vida passa a ser guiada por valores, propósitos e escolhas significativas, a presença ou ausência momentânea de autoestima perde parte do seu poder.
Assim, é possível continuar avançando mesmo em dias de insegurança. É possível agir com coragem mesmo quando a mente produz autocríticas. E, principalmente, é possível construir uma vida significativa sem depender o tempo todo de uma sensação positiva sobre si mesma.
Durante muito tempo, fomos ensinadas a acreditar que a autoestima é a base de tudo. Entretanto, quando observamos a experiência humana com mais honestidade, percebemos que sentimentos são naturalmente variáveis.
Como qualquer sentimento humano, ela também sofre influência de pensamentos, circunstâncias e experiências. o problema não está em perceber que ela oscila. O problema surge quando acreditamos que somente com ela seremos capazes de viver bem.
Quando essa crença se instala, cada dificuldade passa a ser interpretada como prova de que algo está errado conosco.
Entretanto, uma vida emocional mais estável não depende de manter uma estima sempre alta. Ela depende, sobretudo, da capacidade de continuar vivendo de forma significativa mesmo quando surgem dúvidas, comparações ou críticas internas.
Assim, pouco a pouco, talvez a pergunta deixe de ser “como melhorar meu senso de valor?” e passe a ser outra: como quero viver minha vida, mesmo nos dias em que minha mente não está sendo gentil comigo?
Veja também: Cinco maneiras de desenvolver autoestima

Sou psicóloga clínica, CRP: (04/39812.) Atendo mulheres, ajudando-as a recuperar sua autoconfiança, superar desafios emocionais e construir uma vida mais leve e significativa. Utilizo a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Uma abordagem que visa ajudar pessoas a lidar com pensamentos e sentimentos difíceis, esclarecer valores, orientar ações, além de ensinar técnicas práticas para ajudar a lidar com desafios emocionais. Se você busca apoio psicológico ou deseja conhecer melhor meu trabalho, este espaço oferece informações úteis. Caso precise de acompanhamento psicológico, entre em contato. Será um prazer acompanhar você em sua jornada de crescimento e autodescoberta. Obrigada por acompanhar este blog. Vamos juntas, em direção a uma vida mais rica e significativa.
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