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Rótulos: As palavras podem marcar uma vida, portanto, jamais rotule uma criança.

Por Adriana Fernandes   |   Publicado: 27/04/2018 às: 9:22   |   Atualizado: 13-11-19 às: 21:44

 

Você costuma rotular seu filho?

 

O belo poema de Ruth Beber Meyer cujo título é Palavras são janelas (ou são paredes), nos leva a uma profunda reflexão sobre a maneira e o cuidado que precisamos ter em relação as nossas palavras. A palavra de um jeito ou de outro, acaba cumprindo o seu papel, marcando a sua sentença.

Para você, as palavras têm sido janelas ou paredes?  Vocês pais, a estão utilizando para incentivar seus filhos ou para desanima-los? Para credita-los ou desacredita-los?

As palavras têm um poder enorme. Pode construir, mas também destruir. Edificar como também marcar de forma negativa a vida de uma criança. Pode se tornar janelas que se abrem ao conhecimento, a troca, a conquista ou podem se tornar barreiras que impede o outro de prosseguir, limitando-o.

Você se lembra das palavras que foram dirigidas a você na sua infância? Sente que algumas delas acabaram se tornando verdadeiras profecias?

Infelizmente muitas pessoas acreditam que palavras são apenas palavras. Acredito que o que determina o poder das palavras são a frequência, intensidade e a intencionalidade delas. Dizer determinadas palavras a uma criança, por exemplo, com bastante frequência pode fazê-la acreditar que ela é realmente o que dizem dela.

Como você costuma se comunicar com o seu filho? Você utiliza uma linguagem clara e adequada a idade da sua criança? Seu modo de comunicar é respeitoso considerando os sentimentos do seu filho?

 

Desenvolver uma comunicação positiva no lar  requer paciência, humildade e empatia da parte do adulto.

 

Não existe comunicação sem o ouvir, sem estar atento de corpo e alma ao que o outro diz. É preciso aprender a acolher os sentimentos do outro, valoriza-los. Comunicação é uma via de mão dupla. É um diálogo que precisa ser exercitado no dia a dia, nos diversos momentos entre pais e filhos. É um aprendizado rico onde todos aprendem a se valorizar e a valorizar o outro.

Sua forma de comunicar traz conexão entre você e seu filho? Você se sente capaz de ouvi-lo sem interrompê-lo quando ele tem algo a lhe dizer? Como podemos dizer que conhecemos alguém se cada vez mais desaprendemos a ouvir esse alguém? Como podemos dizer que criamos um laço de intimidade com nossos filhos se já não temos paciência para ouvi-los, para estar com eles e assim saber mais sobre suas alegrias e tristezas? Desejos e conquistas?

 

 

Rótulos são expressões que não deveriam fazer parte do nosso vocabulário…

 

Você se lembra dos rótulos negativos que recebeu? Ainda sofre com isso? Sentiu na pele a enxurrada de palavras negativas que lhe foram ditas na infância? Então, não repita o mesmo erro que cometeram com você. Faça diferente! Procure estabelecer uma comunicação rica e respeitosa com todas as pessoas independente da idade.

As crianças precisam de alguém que acredita no seu potencial. Que sejam referenciais para elas, que as ajude principalmente nos momentos difíceis. Crianças precisam receber palavras de carinho e de incentivo. Palavras verdadeiras, que demonstra através de atitudes o quanto elas são únicas e tem o direito de serem respeitadas e cuidadas.

Se você costuma rotular seu filho, é um momento para refletir sobre tal atitude. O que ganho rotulando meu filho? Já consegui algum progresso em seu comportamento agindo dessa forma?

 

O que significa rotular uma criança?

 

Rotular uma criança é colocar nela uma determinada característica que não é dela. A criança esta em processo de desenvolvimento. Muitas vezes irá se comportar de maneira que o adulto desaprove. Irá fazer birras, pode apresentar comportamento de agressividade, porém, isso não quer dizer que a criança seja assim da forma como ela se comporta.

É importante entender o que a mesma está passando. Como a criança não sabe ainda expressar seus sentimentos em palavras ela pode vir a fazer pela sua maneira de se comportar. Cabe ao adulto estar atento, conhecer bem a criança e entender o que se passa com ela.

Por exemplo, quando uma criança está muito agressiva, é importante que os pais entendam o porquê de tal comportamento. Ficar brigando com a criança, desprezando o seu sentimento não irá ajudar em nada. Ficar chamando uma criança de chorona toda vez que ela começa a chorar não irá mudar tal comportamento, pelo contrário, irá apenas de intensifica-lo cada vez mais.

 

Desenvolva uma comunicação respeitosa com as crianças…

 

O respeito no lar pode começar com uma boa comunicação, mas somente aprendemos a nos comunicar quando estamos dispostos a aprender a ouvir.

É importante que os pais não somente ouçam suas crianças, mas também acolham seus sentimentos. A comunicação pode ser verbal e não verbal. Não adianta os pais dizerem elogios para o filho, mas o seu semblante mostrar o contrário.

As palavras precisam ser acompanhadas das atitudes. Afinal de contas, as crianças percebem muito mais nossa expressão corporal do que nossas palavras.

Muitas vezes o adulto acredita que gritar e maldizer de uma criança colocando rótulos ou “apelidos” irá fazer com que a criança fique sem graça e que com o tempo deixará de repetir determinado comportamento, o que é um grande engano.

Se a criança está agindo de uma forma não adequada é importante que o adulto corrija o comportamento da criança, mostrando a ela o porquê de tal comportamento está sendo desaprovado, e mostrar-lhe a maneira adequada.

Não adianta apenas desaprovar o comportamento da criança, é importante ensinar-lhe a maneira correta de se comportar ou realizar determinada tarefa. Os pais devem sempre lembrar que são eles os principais modelos em que a criança irá se espelhar.

 

Portanto, expressões “como: “Esse menino é muito levado”, “Que garoto burro”, entre outras, devem ser retiradas do nosso vocabulário, pois, podem vir a prejudicar o desenvolvimento da criança”. O problema dos rótulos é que a criança acaba por acreditar que ela é realmente assim, passando a comportarem-se exatamente como os adultos a veem.

Portanto, ao invés de dizer “Beto é um menino preguiçoso”, seria mais aconselhável falar: “Hoje, Beto amanheceu um pouco indisposto.” Quando forem elogiar, estejam atentos e elogiem o comportamento, não a criança.

“Por exemplo, não diga: “Clara você é muito inteligente, sempre tira nota alta”, seria melhor dizer: Muito bem Clara, suas notas são o resultado do seu esforço.” Isso a ajudará a entender que é preciso se dedicar para conseguir algo que almejamos e a lidar melhor com as frustrações quando não atingir os resultados esperados.

Pais e cuidadores que estabelecem uma comunicação clara e respeitosa com as crianças, evitam os rótulos e contribuem de forma enriquecedora para que as mesmas tenham um bom desenvolvimento emocional, aumentando assim sua autoestima e autoconfiança.

 

Referências Bibliográficas:

 

Weber, Lidia.(2012). Doze princípios para uma educação positiva-Princípio 5- Comunicação Positiva. Pag.74.

 

 

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